24.4.17

Capitulo 4

Último da minha maratona de hoje. Meu pedido de desculpas por ser tão doida e esquecer de postar. É muita coisa na mente kkkk Espero que vocês gostem. Muito obrigada por terem paciência comigo. eu já vou dar um up na história de "a sexóloga" pra vocês matarem a saudade e a curiosidade. Beijão!!!

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CAPITULO 4

Demi

Em um tribunal se sente uma energia pouco antes de ler o veredicto, uma crepitação de estática no ar. É uma tensão compartilhada que deixa você sem fôlego, o mesmo que os romanos devem ter sentido no Coliseu enquanto esperavam para ver o caminho que o César apontaria com o polegar. O aumento do pulso, sangue e adrenalina vibram e crescem. É emocionante.

Tão viciante como o sexo realmente fantástico. O tipo que te deixa marcada, dolorida e exausta e você não pode esperar para fazê-lo novamente.

Eu sempre soube que queria ser uma advogada. Quando criança, via séries como LA Law, onde os advogados tinham inteligência afiada, usavam ternos elegantes, penteados impecáveis e trabalhavam em escritórios arranha-céus de cromo e vidro.

A educação foi a mais alta prioridade para os meus pais, porque eles tinham acesso limitado a ela. Minha mãe deixou a pobreza de sua cidade natal, no Pará para chegar à opulência relativa do Rio de Janeiro, quando ela era uma criança. Mas o analfabetismo só escapou depois de conhecer meu pai, que lhe ensinou a ler quando tinha dezesseis anos.

Juntos, eles emigraram para os Estados Unidos e tornaram-se a própria definição do sonho americano: eles consolidaram um negócio próspero, elevando-se através das fileiras da classe média à riqueza. Plenamente conscientes das oportunidades que o trabalho oferecia aos seus filhos, nos incutiram, em cada um de nós (meus três irmãos mais velhos e eu), que a educação era a chave para abrir todas as portas. Era um tesouro que nunca poderia ser roubado, a rede de segurança mais duradoura. Não é por acaso que cada um de nós buscou campos profissionais: o meu irmão mais velho, Victor, tornou-se um médico; o próximo, Lucas, um contador público certificado, e Thomas, apenas um ano mais velho que eu, é um engenheiro.

— Senhora Encarregada, vocês chegaram a um veredicto?

O nosso cliente Pierce Montgomery não direcionou sua atenção para a mulher que está prestes a anunciar o veredicto de seu julgamento, mas descaradamente voltou-se para os meus seios. Fez-me sentir suja de uma forma desagradável.

Eu vou tomar um bom banho quente no futuro, para limpar-me da sordidez.

— Sim, Meritíssimo.

Ao entrar na defesa criminal sabia que havia uma chance de que eu tivesse que trabalhar com idiotas como Montgomery, mas isso não me impediu de fazê-lo. Eu era a mais jovem da minha família, e a única mulher, então eu estava muito protegida. Mas ao invés de me restringir, o instinto protetor levou meus pais a se certificarem de que era capaz e que estava preparada para o que a vida pode lançar.

— Opportunities. — Diria meu pai. — Devemos aproveitar com ambas as mãos, porque você nunca sabe se eles vão voltar.

Ele foi quem me ensinou a não ter medo.

Uma chance é tudo o que sempre quis para mim. Mais do que um marido ou filhos, ele queria que eu tivesse a oportunidade de ir a qualquer lugar. Fazer qualquer coisa.

Ser criada em Chicago me deu uma vantagem. É uma bela cidade, mas como toda a área urbana tem os seus perigos. Eu aprendi a mover-me rapidamente, mas sempre manter-me firme, estar em guarda e, geralmente, desconfiada com estranhos até que provem o contrário.

E com certeza, uma olhada desagradável de um filho de senador, como é Pierce Montgomery, não me intimida. Se tentasse me tocar mais do que os olhos, eu poderia colocá-lo de joelhos apenas com o movimento do pulso.

Simples assim.

— Qual é?

Aqui vamos nós. Momento da verdade.

Com o canto do meu olho, eu vejo os ombros largos de Joseph subirem ligeiramente como quando você inala ... e mantém sua respiração.

Como eu.

A responsável recita o número do processo e encargos, e, em seguida, pronuncia a palavra mágica: Inocente.

Inferno sim! Siim foda, yeah! Vamos começar as celebrações mentais!

Tal como acontece com os jogadores que executam um touchdown na NFL, celebração excessiva na sala do tribunal é desaprovada, de modo Joseph e eu só damo-nos brilhantes sorrisos de saudação. 

Mas nós dois sabemos que esta é enorme, uma vitória que é um passo para ter o tipo de notoriedade apreciado por Cochran, Allred, Geragos, Abramson e Dershowitz-a Liga "Toda a gente sabe o seu nome."

Montgomery agradece a Joseph com um aperto de mão, mas consegue fazer com que sua gratidão soe arrogante. Ele se vira para mim com os braços abertos, à espera de um abraço, é claro.

Porque eu tenho uma vagina.

E como muitos outros, acredita que do pênis aperta as mãos e abraça as vaginas.

Este não é o caso, amigo.

Dirijo um braço inflexível, marcando meu ponto e mantendo-o fora do meu espaço pessoal. Ele está de acordo com o aperto de mão, mas acrescenta uma piscadela lasciva.

E o chuveiro quente está se tornando mais atraente.

Quando saímos do tribunal, os repórteres estão esperando. Eles são meios de comunicação locais, não nacionais. Ainda não. Como eu disse, é o trampolim.

Joseph, o advogado principal, monopoliza as perguntas com uma mistura bem praticado de charme e egoísmo (advogados não são modestos).

Mas dá-me crédito, referindo-se a "nossa" defesa, mencionando como "nós" tínhamos certeza dos resultados desde o início, com destaque para a nossa empresa bem estabelecida, e garantindo que todos os clientes Adams & Williamson também recebem uma representação estelar.

Enquanto fala, eu tomo um momento para admirá-lo, porque ele é muito fácil de admirar. Seus olhos cor de jade brilham com o entusiasmo do sol da tarde, emoldurado por cílios grossos, surpreendentemente escuros, do tipo que as mulheres matariam para ter. Rebeldes fios dourados de seu cabelo (o tipo de cabelo que tem Robert Redford em Legal Eagles) caem em seu rosto inteligente.

Um nariz romano e maçãs do rosto salientes dão uma aparência nobre, forte, embora Joseph Shaw seja um homem de verdade, não um menino bonito. Eu acho que minha parte favorita é sua mandíbula. É digno de pornografia. Robusta e quadrado, com a quantidade perfeita de barba por fazer para evocar imagens de manhãs sensuais e camas quentes.

Tem um metro e oitenta, é cerca de dez centímetros mais alto que eu e suas longas pernas e peitos largos são o sonho de um alfaiate. É o tipo de corpo que foi feito para usar um terno. Sua voz é profunda, um barítono, melódica, com uma pequena dica de um sotaque sulista que durante o interrogatório pode cortar como um bisturi ou hipnotizar como contador de histórias. Mas o que atrai é o seu sorriso, que desarma. Seus lábios peritos fazem você querer rir quando ele faz isso e dão os pensamentos mais sujos quando eles escorregam em um sorriso torto preguiçoso.

Um sorriso que estou bem familiarizada.

— ... não é verdade, senhorita Ludwig? — Ele pergunta, e os olhares dos jornalistas caiem para mim, com expectativa.

Merda. Eu não tenho ideia o que está falando. Eu estava muito ocupada olhando para a linha de sua mandíbula, caramba, lembrando como a sua barba por fazer arranhou minha coxa, fazendo-me ronronar com satisfação de um gato arranhando apreciando seu poste favorito.

Mas eu posso me recuperar sem problemas. — Absolutamente. Eu não poderia concordar mais.

Os jornalistas agradecem-nos, e como nosso cliente entra em seu carro com motorista, Joseph e eu decidimos caminhar algumas quadras de volta para o escritório.

— Onde você estava lá? — Diz em um tom de diversão que me diz que ele já adivinhou.

— Vou dar detalhes mais tarde. — Eu digo, quando Joseph abre a porta do nosso prédio para mim.
Abrams & Williamson é um dos escritórios de advocacia mais antigos de DC. O prédio tem dez décadas, aderindo à altura dos edifícios da 1910 Act, que proíbe a construção de novas estruturas que eram mais elevados do que a cúpula do Capitólio, com exceção de algumas poucas exceções. Mas o que lhe falta em estatura sobra em grandeza histórica. As superfícies de mogno polido refletem as luzes brilhantes, concebidas para realçar as molduras artesanais que decoram as paredes. Uma lareira de mármore restaurada acolhe os visitantes que andam a enorme mesa noz da recepção com luz permanente.

Vivian, a recepcionista tem seus cinquenta anos, mas parece impecável no terno branco e um coque louro, proporcionando uma primeira impressão perfeita de elegância e experiência para todos os que entram.

Ela sorri calorosamente. — Parabéns a ambos. Sr. Adams gostaria de vê-los em seu escritório.

As notícias correm rápido na DC, fazendo com que a propagação da fofoca secundária seja tão lento como as chamadas pela Internet. Portanto, não é surpreendente que a notícia da nossa vitória já veio para a mesa do nosso chefe. No entanto, vitória impressionante ou não, Jonas Adams, sócio fundador da nossa empresa e descendente direto de nosso segundo presidente, nunca sai de sua posição privilegiada no piso superior para oferecer parabéns.

Ele nos chama para que subamos.

Durante a viagem de elevador, o mesmo entusiasmo borbulhando dentro de mim vem do meu colega de crime. Nós somos imediatamente escoltados para o escritório de Jonas, que está em sua posição atrás de sua mesa, escorregando rapidamente pastas em uma pasta de couro desgastada. Sua semelhança com seu ancestral fundador é nada menos que incrível: um abdômen protuberante complementado com um relógio antigo com corrente de ouro do bolso, vidros redondos equilibram-se em um nariz pontudo, e tufos de cabelo branco penteado em uma tentativa de cobrir a sua cabeça calva, que é tão brilhante como o piso de madeira em que estamos.

Se ele se aposenta, as empresas de recriação histórica se rasgarão em pedaços para tê-lo.

Jonas tem ensinado nas melhores instituições legais e é considerado uma das mentes mais brilhantes em nosso campo. Mas, como muitos intelectuais talentosos, exibe um temperamento agitado, que faz com que você ache que está sempre perdendo as chaves do carro.

— Entrem, entrem. — Chama enquanto acaricia seus bolsos, aliviado por encontrar os elementos que estava obviamente esperando que eles ainda estivessem lá. — Estou indo em um momento para uma conferência no Havaí, mas eu queria felicitá-lo para o caso Montgomery.

Move-se atrás de sua mesa e fecha as mãos. — Excelente trabalho, não foi uma vitória fácil. Mas o senador Montgomery está grato.

— Obrigado, Sr. — Joseph responde.

— Quantas para você, Sr. Shaw? Oito vitórias consecutivas?

Joseph dá de ombros, sem modéstia. — Nove, na verdade.

Jonas balança a cabeça enquanto limpa o óculos com um tecido. — Impressionante.

— É tudo pelo júri, Sr. Adams. — Diz Joseph. — Eu nunca encontrei um que não gostasse de mim.

— Sim, muito bom, muito bom. E você, Senhorita Ludwig? Ainda invicta, hein?

Com um sorriso, eu levanto meu queixo orgulhosamente. — Sim, senhor, seis de seis.

As mulheres profissionais têm percorrido um longo caminho, nossos pés estão agora firmemente na porta dos clubes anteriormente dominados por homens em campos políticos, legais e de negócios. 

Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. O fato é que na maioria das vezes, quando se trata de promoções e oportunidades de carreira são a última opção, não a primeira consideração. A fim de alcançar a vanguarda em relação aos nossos chefes, não é o suficiente para ser tão bom quanto os nossos colegas do sexo masculino, temos que ser ainda melhor. Devemos nos destacar.

É uma verdade injusta, mas uma verdade, no entanto.

Quando o motorista de Jonas entra no escritório para levar a sua bagagem, virando um saco de golfe de uma marca de luxo, cujo conteúdo é mais valioso do que o Porsche de Joseph, comento: — Eu não sabia que era um golfista, Sr. Adams.

Isso não é verdade, claro que eu sabia.

— Sim, eu sou um ávido jogador. É relaxante, você sabe, ajuda com stress. Estou ansioso para jogar algumas rodadas durante a conferência. Você joga?

Eu sorrio como o gato de Alice. — Honestamente, eu faço. Eu disparei um setenta e sete em East Potomac.

Seus olhos se arregalaram. — Isso é notável. — Ele balança a dedo. — Quando voltar do Havaí, você será minha convidada no meu clube, Trump National, por algumas rodadas.

— Isso seria ótimo. Obrigada.

A papada de Jonas se agita enquanto ele concorda. — Minha secretária entrará em contato com o seu assistente para adicioná-lo ao seu calendário. — Então, ele volta sua atenção para Joseph. — Você joga, Shaw?

Porque eu o conheço, sei que hesita por um nano segundo. Mas então seu rosto se abre em um largo sorriso. — Claro. O golfe é minha vida.

Jonas aplaude. — Excelente. Então você se juntará a nós nesse dia.

Joseph engole. — Genial.

Após Jonas sair, Joseph e eu voltamos para o elevador para ir para os nossos escritórios no quarto andar.

"O golfe é minha vida?" — Cito, enquanto observa os números iluminando indo para baixo.

Seus olhos se tornam engraçados para mim. — O que diabos eu deveria dizer?

— Ah, você poderia ter dito o que você me disse há três meses: "O golfe não é um esporte real."

— Não é. — Ele insiste. — Se você não suar, não é um esporte.

Ao que respondo: — O curso requer uma quantidade enorme de habilidade...

— O mesmo acontece com o ping-pong. E isso não é um esporte porra.

Ponto de vista masculino teimoso e estúpido. Tendo crescido com irmãos, eu estou familiarizada com eles. No entanto, ainda me diverte, que sejam tão absurdos.

— Então o que você vai fazer? Jonas retorna do Hawaii em duas semanas.

— É muito tempo para me mostrar como jogar. — Ele responde, gentilmente me cutucando.

— Eu? — Gaguejo.

— É claro, senhorita setenta e sete em East Potomac. Quem melhor?

Eu balanço minha cabeça. Veja como ele funciona Joseph. Como a minha sobrinha, que usa lábio trêmulo contra o meu irmão mais velho, Joseph usa seu charme covarde.

É impossível resistir, especialmente quando você realmente não quer.

— Duas semanas não é muito tempo.

Ele põe a mão no meu ombro, esfregando o polegar contra a pele nua na parte de trás do meu pescoço. A ação gerou um rastro de fogo pelas minhas costas, fazendo de cada músculo abaixo da minha cintura se apertar.

— Vamos começar este fim de semana. Tenho plena confiança em você, Dem. Além disso ... — Pisca um olho, — eu aprendo rápido.

Quando as portas do elevador se abrem, remove a mão para o lado, e por um momento, eu choro pela perda. — Esse será o momento perfeito para que pague nossa aposta. Seu carro me deve uma viagem.
— Eu não acho que devem responder por apostas feitas sob coação.

Meus saltos ressoam no chão de madeira enquanto me viro: — Sob pressão de quem?

Joseph para a poucos passos das portas dos nossos escritórios. Abaixa a sua voz e se inclina para sussurrar no meu ouvido: — Subestima o poder de seus milagrosos seios. Eles estavam na minha cara, era impossível pensar com clareza.

Cruzo os braços, cética. — Milagrosos?

Levanta as mãos, com as palmas abertas. — Eu quero me levantar e gritar amém... ou cair de joelhos e fazer outras coisas.

Uma pequena risada me escapa. — Se todos os peitos tão facilmente te distraem, você tem problemas maiores do que eu dirigindo o seu bebê.

Joseph olha para mim por um momento, os olhos quentes. Quase ilegais.

— Nem todos os seios, Dem. Apenas o seu.

Eu ouvi a expressão "meu coração afundou", mas não sabia que poderia realmente acontecer. Até este momento.

Ainda assim, eu fingi indiferença. — Boa tentativa. Desculpe-se. Eu não estou dando lições de golfe a conquistadores.

— Você não pode culpar um cara por tentar.

Brent deixa o nosso escritório, em direção a Joseph. Ele para quando nos vê e levanta o braço em saudação. — Ah, o retorno dos vencedores. As duas pessoas que eu queria ver.

Seguimos para o escritório de Joseph, que partilha com Jake Becker, e estava em sua cadeira, folheando um arquivo aberto no colo. Dando um breve olhar em nossa direção, ele diz a Jake: — Eu ouvi que parabéns estão na ordem do dia. Os meus parabéns por provar que a justiça é tão muda quanto cega.

Joseph e Jake se conhecem desde a faculdade de direito, quando Joseph estava na extrema necessidade de um companheiro de quarto para dividir o aluguel e Jake na extrema necessidade de dormir em algum lugar diferente do sofá na sala de estar de sua mãe. Jake Becker não se parece com um advogado. Faz-me lembrar de um boxeador peso-pesado ou um filme de gangster muscular em preto e branco. Cabelo preto, olhos que lembram a cor do aço frio, lábios carnudos, que raramente sorriem e pronuncia as palavras mais amargas. Seu corpo é grande e perigosamente poderoso, suas mãos escondem completamente as minhas quando a segura. Mãos como tijolos que fariam implorar por misericórdia o seu adversário em uma briga boba.

Apesar de sua aparência intimidadora, Jake é o perfeito cavalheiro. Tem senso de humor e é fortemente protetor daqueles que considerava amigos. Sinto-me feliz de dizer que eu sou um deles. Eu nunca o vi perder a cabeça ou levantar a voz, mas eu suspeito que o seu é o tipo de raiva que golpeia com vingança mortal, sem qualquer aviso.

Joseph coloca sua pasta sobre a mesa e se senta.

— Não fique muito confortável. — Adverte Brent. — Não vamos ficar muito tempo. É sexta-feira, e sua vitória nos dá a desculpa perfeita para sair mais cedo.

Eu não conheci Brent quando eu era jovem, mas tem todos os ingredientes de palhaço da turma... ou uma criança na necessidade desesperada de ansiolíticos. Sempre otimista, fazendo piadas e uma fonte inesgotável de energia. Raramente fica quieto, mesmo se está lendo, seus pés estão equilibrados ou balançando na borda de sua mesa, um arquivo em uma mão e um reforço dos braços do outro.

Ah, e ele nem bebe café. Algumas segundas de manhã eu quero estrangular Brent.

— Eu tenho que terminar o registro de Rivello. — Explico, mas o seu movimento da cabeça me interrompeu.

— Pode terminar isso amanhã, senhorita. Você é a nova favorita de Adams, não é necessário provar nada para o resto de nós. Além disso, temos motivos para comemorar, e eu tenho uma regra de não deixar passar despercebido. Hora da happy hour.

Eu olho para o meu relógio. — São três da tarde.

— O que significa que são cinco horas em algum lugar. — Ele aponta o dedo para a porta. — Vamos rapazes, encontrar o seu parceiro. O primeiro será pago por Jake.

Jake já está de pé, arrumando sua pasta com o trabalho para levar para casa. Vira o dedo no ar e afirma categoricamente: — Claro. Água para todos.

Com um sorriso, Joseph coloca o braço em volta dos meus ombros.

— Vamos, Dem. Há uma Tequila Sunrise com o seu nome nele. Nós ganhamos.

Eu tenho uma relação duradoura de amor/ódio com Tequila Sunrise... Eu amo o happy hour e eu odeio-o na manhã seguinte.


Com um suspiro, eu me rendo. — Tudo bem, foda-se.

Capitulo 3

Olha mais 1!!!! Vou correr pra postar o outro logo!! Espero que gostem dos capítulos que estou postando e que gostem da fic ao decorrer da mesma. Bjos <3

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CAPITULO 3

DEZ ANOS DEPOIS

WASHINGTON, DC

O Trabalho de advogado criminal não é tão emocionante como se imagina. Nem sequer tão emocionante como os estudantes de direito imaginam. Há um monte de investigação, as referências de jurisprudência para embasar cada argumento nas páginas e páginas dos códigos legais, os quais estão cheios de semântica para dar aos leigos um tempo difícil. Se é parte de um escritório, quando finalmente te passam um caso para representar na frente de um juiz, raramente há revelações dramáticas e surpreendentes, e nem momentos como em Law and Order.

Geralmente é só explicar os fatos para o júri, peça por peça. Uma das primeiras regras que aprende na faculdade é: nunca faça uma pergunta que não saiba a resposta.

Sinto destruir suas convicções, mas realmente é assim.

Nos Estados Unidos da América, os acusados podem escolher quem decidirá seus destinos: um juiz ou um júri. Sempre aconselho meus clientes a escolher o júri. É um milagre fazer doze pessoas concordarem sobre onde almoçaram quem dirá sobre a inocência ou culpa de um acusado. E uma anulação de júri, que é o que acontece quando não podem concordar com um veredito, é uma vitória para a defesa.

Alguma vez já escutou essa velha brincadeira sobre os jurados? Realmente quer ser julgado por doze pessoas que não foram suficientemente inteligentes para sair do serviço de jurados? Sim, isso é exatamente as pessoas que você quer te julgando. E também porque os jurados são pessoas não familiarizadas com a lei. E essas pessoas não podem se deixar influenciar... por um monte de elementos que não tem nada a ver com os fatos.

Se um jurado gosta de um acusado, teria mais dificuldades para condená-lo por um caso que poderia manter sua bunda na prisão pelos próximos dez ou vinte anos. É por isso que um ladrão se apresenta na corte bem vestido e não com o macacão laranja. É exatamente por isso que o vestuário e o penteado de Casey Anthony foram cuidadosamente escolhidos para fazer com ele parecesse docemente recatado. Claro, se supõe que o júri seja imparcial, que devem basear seu julgamento nas evidências apresentadas e nada mais.

Mas a natureza humana não funciona dessa maneira.

A simpatia dos advogados do acusado também tem peso. Se um advogado está descuidado, de mau-humor ou é chato, os jurados se sentirão menos inclinados a acreditar na sua versão do caso. Por outro lado, se o advogado de defesa parece ter o controle da situação, fala bem e tem boa aparência, os estudos mostram que os jurados são mais propensos a acreditar nesse advogado. E acreditar neles, significa acreditar em seus clientes.

É importante que pareça que não se esforça muito. Não aparentar ser suspeito ou vago, e a última coisa que quer é dar uma pinta de “vendedor de carros usados”. As pessoas sabem quando mente.

Mas aqui está o mais importante: sempre que for possível, passem um bom tempo. Dê-lhes algo para ver. Eles esperam “Objeções” e “Fora do lugar”, o barulho das mesas e golpes do martelo. Esperam uma recreação ao vivo de Tom Cruise e Jack Nicholson em Questão de Honra. O sistema pode ser chato, mas você não tem que sê-lo. Pode ser divertido. Mostrar-lhes que tem uma grande inteligência e que não tem medo de usá-la.

Meu pau é o mais genial de todos, o júri não pode tirar os olhos dele.

Em sentido figurado... e literalmente.

— Pode continuar com as considerações finais, senhor Shaw.

— Obrigado meritíssimo. — Me coloco de pé, abrindo o botão de meu terno cinza feito sob medida. 

Essa cor faz sucesso hoje em dia com as mulheres, e dez dos doze membros do júri são mulheres.

Encontro seus olhares com uma expressão contemplativa, e aumento a pausa, o que aumenta a tensão dramática. Então começo.

— A próxima vez que te ver, cortarei suas bolas e empurrarei por sua garganta.

Pausa. Contato visual.

— Quando te encontrar implorará para que eu te mate.

Pausa. Aponto com o dedo.

— Só espere idiota. Irei por você.

Saio detrás da mesa da defesa e me posiciono de frente ao júri. — Essas são as palavras de um homem que a acusação clama que é a... — pausa — vítima nesse caso. Vocês viram as mensagens de texto. O escutaram admitir que enviou ao meu cliente. — Faço um barulho com a língua. — Não soa como vítima para mim.

Todos os olhos me seguem enquanto caminho como um professor dando uma aula. — Soa como ameaças... das mais graves. De onde venho, ameaçar as bolas de um homem... não há mais declaração de guerra do que essa.

Uma série de baixas risadas sai dos membros do júri.

Coloco os braços na grade da tribuna dos jurados, olhando cada um deles tempo suficiente para que se sintam incluídos, preparando-os para a divulgação de um pequeno segredo sujo.

— Ao longo desse julgamento escutaram muitas coisas sobre o meu cliente, Pierce Montgomery, que são pouco favorecedoras. Abomináveis inclusive. Aposto que não lhes agradou muito. Para dizer a verdade, não me agradou muito também. Ele teve uma aventura com uma mulher casada. Publicou fotos dela nas redes sociais sem sua permissão. Estes não são atos de um homem honrado.

Sempre é melhor tirar o mal do caminho. Como tirar uma bolsa de gordura velha: olhá-la e logo seguir adiante faz com que, ao redor, fique menos propenso a quebrar.

— Se estivesse sendo julgado pela decência humana, posso lhes assegurar que hoje, aqui, eu não o defenderia.

Me endireito, mantendo presa sua atenção. — Mas essa não é sua tarefa. Vocês estão aqui para julgar suas ações na noite de quinze de março. Nós como sociedade não penalizamos as pessoas por defender suas vidas ou seus corpos de danos físicos. E isso é exatamente o que meu cliente fez essa noite. Quando se encontrou cara a cara com o homem que o ameaçou sem descanso, teve todas as razões para acreditar que ele cumpriria suas ameaças. Para temer por sua integridade física... talvez por sua vida.

Faço uma pausa, deixando que assimilem isso. E sei que estão comigo, vendo essa noite em suas cabeças através dos olhos do fodido filho da puta que é muito sortudo em me ter como advogado.

— Meu antigo treinador de futebol nos dizia que uma ofensiva inteligente é a melhor defesa. É uma lição que levo comigo desde o primeiro dia. Então, ainda que Pierce tenha dado o primeiro golpe, era uma defesa. Já que atuou contra uma ameaça conhecida, um medo razoável. Isso, senhoras e senhores, é sobre o que realmente é esse caso.

De pé, em frente a tribuna do júri, dou um passo para trás, dirigindo-me a eles em conjunto. — Enquanto deliberam, estou certo de que concluirão que meu cliente atuou em defesa própria. E darão um veredito de inocente.

Antes de tomar meu assento na mesa da defesa, ponho o botão de ouro, em minhas considerações finais. — Obrigada de novo pelo seu tempo e atenção, foram tão... encantadores.

Isso faz oito das dez mulheres sorrir, eu gosto dessa probabilidade.

Depois de me sentar, minha co-defensora, com o rosto neutro, discretamente escreve em um bloco, me passando.

Fez bem!

Os advogados se comunicam por notas durante o julgamento porque é falta de educação ficar sussurrando. E um sorriso ou gesto podem ser interpretados pelos jurados de uma maneira que você não quer. Assim minha única reação visível é um rápido gesto de acordo.

Minha reação interna é um enorme sorriso. E escrevo de volta.

Fazer bem é como sempre faço. Ou se esqueceu?

Demi é uma tremenda profissional. Não ri nem um pouco. Ela simplesmente escreve.

Arrogante.

Me permito o menor dos sorrisos.

Falando de traseiros, o meu ainda tem marcas de suas unhas nele¹. Isso te deixa molhada?

1 Jogo de palavras entre cocky ass (arrogante) e ass (traseiro).

É inadequado, totalmente não profissional, mas também é malditamente divertido. O fato de que nosso cliente imbecil ou qualquer pessoa sentada na primeira fila da galeria atrás de nós poderiam ver o que está escrito, acrescenta uma emoção. Como colocar os dedos em uma mulher debaixo da mesa de um restaurante cheio, o potencial de que te descubram faz tudo ainda mais perigoso e quente.

Uma emoção atravessa seus olhos enquanto responde:

Me deixou molhada com “Senhoras e senhores”. Agora pare.

Respondo de volta:

Paro? Ou guardo para mais tarde?

Sou recompensado com um simples e sutil sorriso. Mas é o suficiente.

Mais tarde me serve.

Depois da réplica e de uma hora de instruções do juiz, os jurados se retiram para a sala reservada para as deliberações deles e o tribunal entra em recesso. O que me deu a oportunidade para me reunir com meu irmão de fraternidade em um bar local, que serve os melhores sanduíches da cidade.

Entre os horários de trabalho exigentes e a família, nós só temos tempo para nos ver uma ou duas vezes por ano; quando vamos a cidade do outro por razões comerciais.

Drew Evans não mudou muito desde os nossos dias em Columbia. O mesmo humor sarcástico, a mesma arrogância que atrai as mulheres para ele como mariposas para uma luz. A única diferença entre antes e agora é que ele não percebe a explosão de atenção feminina que atrai. Ou, se nota, não corresponde.

— Você tem certeza que não gostaria de algo mais? Qualquer coisa? — Pergunta com esperança a garçonete de vinte e poucos anos... pela terceira vez em quinze minutos.

Ele toma um gole de cerveja, então se despede com: — Nope. Eu ainda estou bem, obrigado.

Com os ombros curvados, ela corre.

Drew é um banqueiro de investimento na empresa de seu pai em New York City. Ele também é o meu banqueiro de investimento; a razão pela qual dois anos de faculdade de Mary já estão bem colocados em um fundo de 529. Misturar dinheiro e amizade pode não parecer uma jogada inteligente, mas quando seus amigos são tão talentosos em ganhar dinheiro como são os meus é brilhante.

Seu telefone toca com uma mensagem de texto. Observa a tela e um sorriso bobo se espalha por seu rosto... o tipo de sorriso que eu vi apenas uma vez antes: no seu casamento, há oito meses.

Eu limpo minha boca com um guardanapo, e jogo sobre a mesa, e inclino a cadeira para trás sobre duas pernas. — Então... como está Kate nos dias de hoje?

Kate é a esposa de Drew.

Sua extremamente bela esposa.

A extremamente bela esposa com quem dancei brevemente em sua recepção de casamento. E meu amigo não pareceu gostar nem um pouco.

Que tipo de amigo eu seria se não brincasse com ele sobre isso?

Ele olha para cima com um sorriso. — Kate está fantástica. Ela é casada comigo ... o que mais poderia ser?

— Lhe entregou meu cartão? — Pressiono. — Por que ela pode contatar-me para serviços jurídicos... ou qualquer outro serviço que ela pode precisar?

Eu sorrio quando ele franze a testa.

— Não, eu não lhe dei o seu cartão. Imbecil. — Ele se inclina para a frente, de repente risonho. — Além disso, Kate não gosta de você.

— É isso que você diz a si mesmo?

Ele ri. — É verdade, ela acha que você é ambíguo. Você é um advogado de defesa, Kate é mãe. Ela acredita que você deixa molestadores de criança caminhar pelas ruas.

É um erro comum, e completamente impreciso. Os advogados de defesa mantem o sistema legal honesta; saudável. Nós defendemos para o inocente, o indivíduo pequeno, e nós somos tudo o que fica entre ele e o poder irrestrito do Estado. Mas as pessoas se esquecem dessa parte, é tudo sobre pedófilos e ladrões de fundos de aposentadoria em Wall Street.

— Eu tenho uma filha. — Discuto. — Não defenderia um molestador de criança.

Drew não concorda com meu raciocínio. — Se é para ser o sócio, você defende aqueles que lhe dizem que você defende.

Dou de ombros sem me comprometer.

— Falando de sua filha, quantos anos tem? Dez?

Como sempre, o tema da minha filha faz o meu peito inchar imediatamente orgulho. — Onze anos mês passado. — De repente, eu puxo meu telefone e mostro as imagens que representam a maioria das minhas memórias. — Acaba de competir pela equipe de torcida. E no Sul, anima-se um esporte de verdade, nada dessa merda "ra-ra" pom-pom.

Jenny e Mary ainda vivem em Mississippi. Depois de Columbia, ao ir para a faculdade de direito da Universidade George Washington, falamos sobre ela vir morar comigo em DC, mas Jenny não acreditava que a cidade era um lugar para educar uma criança. Ela queria que a nossa filha crescesse como nós, com natação no rio, andar de bicicleta em estradas de terra, correndo descalço pelos campos e indo para churrascos depois da igreja aos domingos.

Eu concordei com ela, eu não gostava, mas eu aceitei.

Drew assobiou quando eu mostrei as fotos mais recentes, coberta com as cores da equipe verde e ouro. Seu longo cabelo loiro ondulado em cachos estava preso no topo da cabeça, com os olhos azuis brilhantes como o céu e sorriso branco pérola impressionante.

— Ela é uma beleza, Shaw. Felizmente parece com sua mãe. Eu espero que você tenha pronto um taco de beisebol.

Estou muito à frente dele. — Não, cara, eu tenho uma espingarda.

Acena com a cabeça em aprovação e bate no meu braço.

— Olá, estranho, há muito tempo que não vemos. — Meus olhos são atraídos para a magnífica silhueta de Demi Devonne Ludwig, minha co-orientadora, entre outras coisas, à medida que se aproxima a nossa mesa.

A roupa não só faz o homem, faz uma declaração para uma mulher. Parecem particularmente ótimas sobre Demi. Ela se veste como ela é, impecável, perspicaz, elegante, e tão sexy que dá água na boca. Sua blusa de seda vermelha é abotoada com bom gosto, revelando apenas alguns centímetros de sua pele bronzeada abaixo de sua clavícula, nem mesmo uma sugestão de seus seios. Mas o tecido acentua a abundância dada por Deus de seus seios cheios, firme e, porra, bonitos. Um cinza casaco de tweed curto cobrindo os braços longos e elegantes, e combinando saia lápis, que abraça o grande arredondamento dos quadris, antes de revelar suas longas pernas tonificadas.

— Onde você estava se escondendo? — Pergunto, então aponto para uma cadeira vazia. — Quer se juntar a nós?

Lábios naturalmente vermelhos sorriem para mim em resposta. — Obrigada, mas não, acabo de almoçar com Brent na parte de trás.

Faço um gesto enquanto realizo as apresentações. — Drew Evans, ela é Demi Ludwig, uma libertadora de molestadores de crianças de acordo com sua esposa. — As sobrancelhas de Demi arqueiam ligeiramente na descrição, mas continuo. — Dem, esse é Drew Evans, meu velho amigo da faculdade, meu atual banqueiro de investimento, e apenas um bastardo rude ao redor.

Ignorando a minha dica, ele estende a mão. — Prazer em conhecê-la Demi.

— O mesmo digo.

Verifica as horas em seu Rolex e diz: — Joseph, você também deveria ir. Você não quer perder o veredicto.

Encontro-me balançando a cabeça antes que ela termine de falar. Porque nós temos discutido isso desde o início do julgamento. — Minha querida, eu tenho todo o tempo do mundo. Inferno, eu posso até mesmo pedir a sobremesa, por que o júri não voltará até segunda-feira, pelo menos.

— Pode ser que você seja o Encantador de Júris. — Seus dedos bem cuidados giram em um círculo, como se evocando uma bola de vidro. — Mas eu sou a Vidente do Júri. E eu vejo que essas donas de casa querem apagar este julgamento de suas listas para este fim de semana.

— Encantador de Júris? — Drew comenta secamente. — Isso é adorável.

Puxei o dedo enquanto digo a Demi: — Desta vez a sua visão está errada.

Sua boca se abre. — Você se importaria de fazer uma grande aposta garotão?

— Quais são os seus termos da sua doçura? — Eu respondo com um sorriso ousado.

Evans observa com alegria indisfarçável nossa disputa.

Ela descansa os braços sobre a mesa, inclinando-se para frente. E eu tenho um novo apreço pela gravidade porque é a força que faz com que a blusa caia além do seu corpo, dando-me uma visão deliciosa de seus peitos impressionantes envolto em um sutiã preto delicado.

— O Porsche.

Pego de surpresa, meus olhos ficam bem abertos. Ela não mediu palavras.

Sabe que meu conversível 911 Carrera 4S Cabriolet prata é o meu bem mais precioso. A primeira coisa que eu comprei para mim quando fui contratado pela prestigiada firma de advocacia Adams & Williams, há quatro anos. É intocado. Não sai na chuva. Não estaciono onde um pássaro pode defecar nele. Não é dirigido por ninguém além de mim.

— Se o júri retornar hoje, você deixa-me tomar o seu Porsche para o passeio de sua vida.

Ela olha para mim, esperando.

Eu passo meus dedos ao longo da minha mandíbula, debatendo-me.

— Tem caixa de câmbios. — Aviso suavemente.

— Pft, Moleza.

— O que ganho, quando você perder a aposta?

Ela se endireita, parecendo satisfeita consigo mesma, mesmo que não tenha ouvido os meus termos. — O que quer?

As curvas imagem de Demi mal cobertas por um pequeno biquíni vermelho, molhado e ensaboado com espuma, se infiltra em meu cérebro. E eu não posso conter o sorriso lascivo que adorna meu rosto. — Você vai ter que lavar a Porsche a mão, uma vez por semana durante um mês.

Não hesita. — Feito.

Antes de dar as mãos para fechar o negócio, eu olho em seus olhos e deliberadamente cuspo na palma da minha mão. Nossa aderência é escorregadia. Seu nariz se enruga, mas seus olhos, seu olhos de uma forma divertida tem chamas de fogo que só eu posso ler.

Ela gosta disso.

Depois de soltar meu aperto, limpa a mão com um guardanapo. Brent Mason, em seguida, sai do banheiro para se reunir conosco. Brent é um associado de nossa empresa, que começou no mesmo ano que Demi e eu, mesmo que ele parece muito mais jovem. Seus redondos olhos azuis, cabelo castanho ondulado e uma personalidade despreocupada invoca sentimentos semelhantes ao de um irmão protetor. O ato de coxear, que acompanha o seu pé aumenta a impressão juvenil, mas, na verdade, é o resultado da prótese na perna esquerda, resultado de um acidente na infância. O evento pode ter levado a sua integridade física, mas o clima amigável e jovial de Brent permanece completamente intacto.

Como todos os parceiros da nossa empresa, Brent compartilha o escritório com Demi. Eles são próximos, mas de uma forma estritamente platônica, o tipo de zona de amigo.

Ele também tem mais dinheiro do que Deus, ou pelo menos a sua família. Dinheiro velho, o tipo de riqueza abundante cujas férias são sempre no sul da França ou que são capazes de retirarem-se para sua casa de campo no Potomac² quando eles precisam de uma pausa da cidade. O pai de Brent tem aspirações políticas para o seu único filho e acredita que um registro impressionante como promotor estabelece as bases para essas ambições. Que é precisamente a razão pela qual Brent se revelou e se tornou um advogado de defesa criminal.

2 Potomac é uma região localizada no estado americano de Evaland, no Condado de Montgomery.

— Olá, Shaw. — Saúda.

Gesticulo com a cabeça. — Mason. — Gesticulo de volta para Drew. — Brent Mason, este é Drew Evans, um velho amigo. — Meus olhos caem sobre ele. — Brent é outro advogado em nossa empresa.

Dão-se as mãos com firmeza, em seguida, Drew diz. — Jesus, há alguém em DC que não é um advogado?

Eu ri. — A maioria per capita no país.

Antes que ele possa responder com o que eu apostaria minha vida que teria sido um insulto, Brent solta: — Demi está pronta para ir? Eu tenho um cliente que vem em vinte minutos.

— Estou pronta. Drew foi um prazer conhecê-lo. Joseph, eu vou ver você em breve no tribunal.

Finjo confusão. — Quer dizer no escritório?

Com um aceno de cabeça, deixa que Brent a conduza em direção à porta.

Eu vejo como ela sai. E aproveito cada maldito segundo.

O que não passa despercebida. — Você realmente acha que é sábio?

Minha atenção é arrastada de volta para ele. — O que é isso?

— Sexo com sua colega. — Esclarece Evans. — Você acha que isso é sábio?

Eu paro por um momento, me perguntando como ele sabia... e então eu rio de mim mesmo por perguntar ... porque é claro que ele saberia.

— Isto vem do homem que se casou com sua colega de trabalho alguns meses atrás?

Drew se inclina para trás, descansando um braço na cadeira atrás de mim. — Isso é completamente diferente. Kate e eu somos especiais.

Eu bebo minha água. — O que faz você pensar que Dem e eu transamos?

— Ah... porque eu tenho olhos. E orelhas. E a tensão sexual que testemunhei não está resolvida. Por certo, você ficou aquém com a aposta. Minhas palavras teriam sido primeira foda no capô do carro, em seguida, eles lavá-lo. — Ele encolhe os ombros. — Mas esse sou eu. Agora, de volta à minha pergunta original...

Na verdade, não há razão para negar. — Demi é, sem dúvida, a mulher mais sábia que eu já estive.
Não aprova. — Shaw, você anda por um caminho perigoso. Um campo minado de desconforto feminino e desprezo.

Eu compreendo as suas preocupações, mas não são necessárias. Demi é uma mulher em todos os lugares importantes, mas com a praticidade de um homem. Não há minivans ou cercas brancas no futuro, só escritórios e horas trabalhadas. É franca, direta, mas também divertida. Uma mulher que eu considero uma amiga, alguém com quem desfruto sair tanto quanto desfruto foder.

Nosso arranjo começou há seis meses. A primeira vez foi espontânea, imprudente. Eu sabia que a queria, mas eu não tinha percebido o quanto até a noite em que estávamos sozinhos no porão da biblioteca da empresa. Ambos trabalhando até tarde, tensos e duramente pressionados pelo tempo, em um dado momento, nós estávamos discutindo os pontos mais delicados de Miranda contra o Arizona e no outro estávamos arrancando a roupa um do outro, contra as pilhas de grossos volumes encadernados em pele, no cio como animais selvagens.

Também soávamos como eles.

Eu fico animado toda vez que penso nos sons que Demi fez naquela noite, uma sinfonia de suspiros, gemidos e grunhidos que resultou em nós fazendo três vezes. Um triplo. E quando meu orgasmo finalmente tomou conta de mim, merda, eu não consegui sentir minhas pernas por cinco minutos completos.

Depois disso, quando estávamos suados e descabelados como soldados depois de uma batalha, falamos. Nós concordamos que isso era algo que ambos desejávamos fazer novamente, e novamente, um apaziguador do stress necessário que se encaixaria perfeitamente em nossos horários.

Não é tão frio quanto parece. Mas é... fácil.

Eu sorrio. — Não, cara, Demi é como... um dos caras.

— Você foderia com um dos rapazes?

Eu franzi a testa. — Não parece quente quando você diz assim. O que quero dizer é que ela vive para o trabalho, como eu. Tentar se tornar um sócio não deixa muito tempo para mais nada. É conveniente e, porra, bonito. Eu sei que você é casado e tudo isso, mas você tem que encontrar um meio morto para não notá-la. E mesmo assim, as mamas dela convenceriam um cadáver a ter uma ereção.

— Oh, eu notei, acredite em mim. — Diz. — Ela sabe sobre a sua amiga sexual em Mississippi?

— Jenny não é minha amiga sexual. ¬— Reclamo. — Imbecil.

— Bem, não é sua namorada ou sua esposa. É a garota que você fode quando passa rapidamente pela cidade. Eu odeio dizer, mas essa é a definição de amiga sexual.

Às vezes a propensão de Drew chamar as coisas como vê, coloca suas bolas em grave perigo de serem atingidas.

— Demi sabe tudo sobre Jenn e Mary.

— Interessante. — Em seguida, vem o conselho. — Só estou dizendo que, numa situação como esta pode tornar-se complicada para você. O arrependimento é uma mordida na bunda que morde como um bastardo. Eu estive lá, não é divertido.

— Obrigado pelo aviso. Mas eu posso lidar com isso.

— Últimas palavras famosas. Basta lembrar que, no momento em que você perceber que não pode lidar com isso, será tarde demais. — Verifica o relógio e levanta. — E por falar nisso, eu tenho que ir, eu tenho que pegar o trem.

Levanto-me e atinjo seu braço. — Ei, por que você não fica esta noite em DC? Organizarei um jogo de poker com os caras, será como nos velhos tempos.

Levanta suas mãos, pesando as opções. — Vamos ver... tirar dinheiro de Shaw... ou ir para casa com a mulher deslumbrante que me mandou mensagens sexys toda a tarde? Não há competição. Gosto de você, mas nunca será tanto assim.

Nós nos abraçamos rapidamente, batendo nas costas um do outro, ambos comprometendo-nos a fazer isso novamente em breve.

Foi quando meu telefone tocou. Levantei-me da mesa, e li a mensagem.

Enquanto de Drew pega a sua mala debaixo da mesa, eu mostro o meu telefone.

— O Júri está de volta.

Ele ri de mim. — Para o seu bem, espero que ela seja tão boa com a caixa de marchas como disse. — Ele faz uma pausa, então sorri. — Mas eu acho que você já sabe que ela é.

Com um golpe final para o meu braço, ele se dirige para a porta. — Até, cara.

— Dê a Kate as minhas saudações. — Grito atrás dele. — E o meu cartão!


Não se vira, nem não para de andar, apenas levanta a mão, o dedo médio estendido alta e claramente acima da cabeça.